Novo tratamento aumenta a sobrevida de pacientes com câncer de pulmão
Combinação do imunoterápico pembrolizumabe e quimioterapia demonstrou resultados positivos no tratamento em primeira linha de câncer de pulmão não pequenas células
Da Redação - Publicado: 18/01/2018 - Atualizado: 23/04/2018

Com 1,2 milhão de novos casos a cada ano, o câncer de pulmão é o mais comum e também o que mais mata no mundo. Um estudo americano, que contou com a participação de 614 pacientes com cancro do pulmão de não pequenas células avançado ou metastático, demonstrou uma melhora significativa no prognóstico da doença.

O Keynote-189, que avalia o uso de pembrolizumabe (Keytruda), em combinação com quimioterapia (pemetrexed) e cisplatina ou carboplatina, atingiu os objetivos primários, proporcionando aumento de sobrevida global e sobrevida livre de progressão por um período mais longo nesses pacientes em comparação ao tratamento padrão, com quimioterapia, utilizado isoladamente.

A imunoterapia é considerada o que há de mais avançado e efetivo no tratamento do câncer. Ela promove a estimulação do próprio sistema imunológico para combater o tumor, por meio de substâncias modificadoras da resposta biológica, aumentando a sobrevida e diminuindo os efeitos colaterais. “A imunoterapia veio para revolucionar o tratamento do câncer. O pembrolizumabe superou a quimioterapia no manejo de um dos tumores mais agressivos, o câncer de pulmão”, explica Marcelo Cruz, oncologista clínico brasileiro, membro do Comitê Científico do Instituto Lado a Lado, atualmente trabalhando na Northwestern University, em Chicago – EUA.

Para o Instituto Lado a Lado pela Vida, essa notícia vem trazer esperança para muitos pacientes da doença. Preocupado em levar informação sobre o câncer que mais mata no mundo, o Instituto promove o Workshop sobre Câncer de Pulmão, lançando um novo olhar sobre a doença. O evento está em sua 3ª edição e reúne especialistas para debater políticas públicas, parcerias, integração, investimentos em estudos e pesquisas para o câncer de pulmão.

Sobre o estudo KEYNOTE-189

KEYNOTE-189 é um estudo fase 3 (ClinicalTrials.gov, NCT02578680), randomizado, duplo cego, controlado com placebo, que investiga o uso combinado de pembrolizumabe (Keytruda)  com quimioterapia  (pemetrexed) e cisplatina ou carboplatina versus tratamento padrão com quimioterapia à base de cisplatina ou carboplatina em pacientes com câncer de pulmão do tipo não pequenas células, metastático e não escamoso, independente da expressão do biomarcador PD-L1 nas células do tumor. Os pacientes não podiam apresentar aberrações nas expressões de EGFR ou ALK e não podiam ter recebido terapia prévia para a doença em estágio avançado.

O estudo KEYNOTE-189 foi realizado em colaboração com Eli Lilly and Company, responsável pela fabricação de pemetrexed (Alimta). Os principais desfechos primários foram sobrevida global e sobrevida livre de progressão; os principais desfechos secundários incluem a taxa de resposta global e  duração da resposta. O estudo envolveu 614 pacientes randomizados de 2: 1 para receberem pembrolizumabe (dose fixa de 200 mg a cada três semanas), em combinação com pemetrexed (500 mg / m2) (com suplementação vitamínica) mais cisplatina (75 mg / m2) ou carboplatina AUC 5 uma vez a cada 3 semanas (Q3W) durante 4 ciclos seguidos versus placebo combinado com quimioterapia (pemetrexed) (500 mg / m2) (com suplementação vitamínica) mais cisplatina (75 mg / m2) ou carboplatina AUC 5 uma vez a cada 3 semanas (Q3W) durante 4 ciclos seguidos versus placebo 200mg em combinação com pemetrexed (500 mg / m2) Q3W até a progressão da doença, toxicidade inaceitável, decisão do médico ou retirada do consentimento. Pacientes no braço de controle que experimentaram progressão da doença mudaram de grupo e passaram a ser tratados com terapia combinada Keytruda (pembrolizumabe) juntamente com quimioterapia (pemetrexed) e cisplatina ou carboplatina.

Saúde

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